quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A questão da alternância no poder na Venezuela

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Essa questão é sempre usada pela Mídia para tentar deslegitimar o regime venezuelano, caracterizando-o como uma ditadura. Enumeremos alguns fatores a fim de nos contrapor esse discurso dos EUA, repercutido pela Grande Imprensa:

  1. Chávez foi eleito e reeleito pelo povo, através do voto direto – ao contrário dos EUA, onde as eleições são indiretas. As eleições venezuelanas, além de precedidas por enormes passeatas pró e anti-governo, são fiscalizadas por órgãos internacionais.
  2. A alternância é apenas um dos aspectos que qualifica a democracia. Margareth Thatcher ficou 11 anos no poder no Reino Unido. Franklin Delano Roosevelt, por sua vez, obteve 4 mandatos seguidos nos EUA. Nenhum dos dois foi considerado “ditador”.
  3. Por outro lado, a ditadura militar no Brasil teve e a própria ditadura chinesa tem alternância no poder. Nem por isso tais regimes deixaram de ser ditatoriais.
  4. Álvaro Uribe, o capacho dos EUA na Colômbia, teve seu projeto de terceiro mandato aprovado. Onde está a Grande Imprensa para chamá-lo de “ditador”?.
  5. Falando de alternância na Venezuela, não podemos esquecer do Pacto de Punto Fijo, em que “os principais líderes políticos fizeram um acerto pelo qual eles se sucederiam no poder. […] O acordão sobreviveu aos trancos e barrancos até 1999, quando foi implodido por Hugo Chávez, cavalgando as demandas sociais que ficaram represadas por mais de 40 anos.” Aqui também a alternância no poder não significou muita coisa para o povo.

Por tudo isso, caracterizar o atual regime venezuelano como ditadura apenas pela questão da alternância é um argumento que não se sustenta. Em muitos aspectos a Venezuela é mais democrática que a média das democracias. O elevado grau de participação popular e as eleições diretas para magistratura são apenas alguns exemplos.

Mas no noticiário nada disso é mostrado. Fica claro – especialmente quando comparamos o tratamento dispensado a Chávez e a Uribe – que a imagem que a Mídia nos passa sobre a Venezuela é confeccionada de acordo com os interesses das multinacionais (anunciantes da Mídia), que almejam o petróleo venezuelano. Assim, Chávez poderia ser o maior democrata do mundo. Se agisse contra o Capital – tal como age –, seria sempre mostrado como o diabo na terra.

A trinca – multinacionais, governo dos EUA e Grande Mídia -  que espalhou pelo planeta a história das “armas de destruição em massa” de Saddam, a fim de justificar a usurpação do petróleo iraquiano pelas grandes companhias capitalistas; a mesma trinca que pregou o Novo Liberalismo e quebrou a economia mundial recentemente; agora essa trinca quer nos ditar quem são os ditadores e os democratas do mundo.

Triste é ver que parte da esquerda cai nesse jogo da Mídia.

A Legião Urbana matou a charada: “…Quando querem transformar dignidade em doença: é o Bem contra o Mal…”(1965 – duas tribos)

Um comentário:

  1. No regime militar brasileiro,havia alternância no poder.
    Passamos por Castelo Branco,Costa e Silva,Médici,Geisel e Figueiredo.Todos generais amigos do Grupo Folha.
    O mesmo grupo que emprestava seus veiculos ao DOI-CODI e,que hoje denomina 'ditabranda' os anos de chumbo a que fomos impostos.
    Esse é o grupo que se julga digno de criticar o regime venezuelano.
    É lamentável... Para não dizer criminoso!

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